segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nugeza - PPS divulga agenda sustentável

Texto foi concebido para orientar o debate partidário e as pré-candidaturas que abordarem o tema ambiental 

     O Núcleo de Gênero Zuleika Alambert (Nugeza-PPS) elaborou a partir de um texto original de Cristina Magalhães (RJ), do PPS Ambiental, a "Agenda sustentável para uma sociedade ecologicamente responsável",  que é publicado abaixo para auxiliar o debate sobre o tema em todas as esferas partidárias, e também as pré-candidaturas que adotarem a temática da preservação do meio ambiente na campanha eleitoral de 2012.
     Segundo Tereza Vitale, integrante do Nugeza-PPS, o texto está aberto a contribuições. Ele explica que o Núcleo Zuleika Alambert foi criado com o objetivo de contribuir na afirmação de direitos e oportunidades igualitárias aos homens e às mulheres. Dentre os desafios do núcleo estão a participação e a representação das mulheres nos parlamentos, consideradas "essenciais para a construção de uma sociedade de justiça, igualdade e equidade social, com base na democracia e no diálogo amplo e fraterno".
     O Nugeza-PPS é composto ainda por Abgail Páschoa (RJ), Almira Rodrigues (DF), Círia Pimentel (PA), Cléia Schiavo (RJ), Cristina Magalhães (RJ), Elaine Marinho Faria (DF), Elizabete Barreiros (DF), Guiomar Monteiro (AM), Irina Storni (DF), Jane Neves (PA), Maria José Antunes (MG), Neusa Cardoso de Melo (MG) e Renata Cabrera (MT).

Leia a seguir o texto.

"Agenda sustentável para uma sociedade ecologicamente responsável

A sociedade globalizada e as evidentes mudanças provocadas pelas necessidades criadas pela própria globalização impuseram às mulheres um novo papel político que, na verdade, de novo nada tem, uma vez que sempre coube à mulher o papel vigilante e primordial de garantir a continuidade da espécie humana, seja no sentido fisiológico, seja no sentido de participação e influência social. Se cabe às mulheres um papel central nesta questão, não se trata de o ser de forma exclusivista ou segmentária. As relações sociais, em seus múltiplos entendimentos familiares, devem ser consideradas para que as práticas ambientalmente responsáveis sejam efetivas e eficientes.

Hoje, isso se torna mais evidente quando se constata que às mulheres, com ou sem a presença do parceiro, cabe a manutenção familiar. E o maior desafio é o de se conciliar a administração doméstica, o que inclui o papel fundamental de orientar e manter os filhos, com a sua atuação comunitária. As mulheres de hoje sabem, em diferentes graus, a importância de se ter um ambiente arejado e limpo, de se consumir água que seja apenas água, alimentos nutritivos e sem agrotóxicos (mesmo que muitas não saibam nem do que se trata...), de não se ter esgoto a céu aberto passando por sua porta.

Se a autonomia das mulheres se baseia num ambiente ecologicamente saudável e equilibrado, o que se faz evidente em seu equilíbrio físico e psicoemocional, o próprio equilíbrio ambiental depende claramente de suas ações. As relações de sustentabilidade requerem via de mão dupla.  Sustentar significa dar suporte para que o outro possa ser e se necessitamos de qualidade de vida para viver, dependemos do que a natureza tem para nos dar este sustento, o que significa que requer de nós ações que a sustentem, em contrapartida. Trata-se de um “fio-de-navalha”, usufruímos para viver e vivemos porque temos do que usufruir.

Por outro lado, não basta a conscientização dessas mulheres, como agentes, ignorando-se suas relações, onde estão certamente presentes os parceiros  e a relação materno-instrutiva com os filhos. Aliás, na nova sociedade pela qual lutamos, os homens serão parceiros efetivos nas tarefas domésticas e no cuidado com as crianças, idosos, pessoas doentes e com necessidades especiais. As mudanças nesse sentido, apesar de tímidas, já se fazem sentir e contam com a contribuição especial dos movimentos feministas. 

Para que tenhamos mudanças de fato, são necessárias políticas públicas que lhes deem subsídios reais para que possam colocar em prática uma série de pequenas (às vezes, nem tão pequenas assim...) ações que no conjunto trazem grandes resultados. O papel do Estado como suporte para que a sociedade possa agir de forma ecologicamente responsável é fundamental. A ele deve caber o exemplo, começando por empreender e priorizar projetos e obras ecologicamente corretas, passando pelo fortalecimento de órgãos que possam colaborar diretamente no processo, como o fortalecimento das empresas de coleta de lixo, que devem assumir a prioridade da coleta seletiva, contribuindo para o aumento do percentual de material reciclado, dentre tantas outras iniciativas importantes. 

É necessário que se sublinhe a necessidade de um envolvimento amplo e inclusivo de todos os agentes sociais para que esta questão seja tratada como uma iniciativa de defesa da própria vida humana, independente do gênero ou da idade.

Assim sendo, o NUGEZA traz, por meio desta agenda inicial, dicas que possam representar  iniciativas  concretas e simples de contribuição para que, no cotidiano familiar e comunitário, nós, homens e mulheres, possamos agir de forma mais consciente na questão da sustentabilidade ambiental, criando uma prática onde o desperdício e a falta de preocupação com a reutilização  de materiais não tenham mais espaço em nosso cotidiano.

1)   Uso de sacolas recicláveis  – a introdução do plástico na sociedade moderna, nos tornou reféns das sacolas de plástico, suprimindo o uso das sacolas que trazíamos de casa para as compras. É preciso retornar a esta prática. Vamos dispensar, sempre que possível, o excesso de plástico em nosso cotidiano? Esse material não é biodegradável e sua vida útil ultrapassa um século. Se não for possível o uso de sacola retornável no momento, junte as compras em uma só. As de papel são bem-vindas, uma vez que o papel é de rápida degradação ou de fácil reaproveitamento. Quantas sacolas plásticas não saírem conosco das lojas, tantas serão as que deixarão de ser fabricadas;

2)  Além de outros critérios para a escolha dos produtos a serem adquiridos, introduza o critério “menor embalagem” ou “embalagem biodegradável” ou, ainda, “refil”.  Mesmo que muitos desses produtos possam ser recicláveis, a velocidade com que consumimos é muito superior à nossa capacidade de reciclá-los;

3)  Entre o produto enlatado e o natural, prefira o natural sempre, mesmo que este possa ter em seu cultivo coisas que não deveríamos consumir. Alimentar-se de produtos naturais é alimentar-se de “sol” mais diretamente, uma vez que qualquer manipulação humana nos alimentos industrializados faz perder muitas das qualidades nutritivas que possuem;

4) Lixo – mesmo que em sua cidade a coleta não seja seletiva, separe alumínio, latas, plástico, papel e papelão, vidro e isopor (material que muito recentemente entrou na lista de produtos passíveis de reciclagem). Infelizmente, nos lixões que temos em nossas metrópoles, existe uma população que vive disso. Portanto, além de se tentar facilitar a reciclagem, se pode propiciar a possibilidade de a coleta desse material ser maior. Cabe lembrar que isso não deve significar que, na outra ponta, não exijamos do poder público uma coleta de lixo seletiva. 

Não jogue, no lixo comum, remédios de qualquer tipo. Dessa forma eles poderão entrar em contato direto com o solo. Quando os remédios se desmancham no solo, por causa da chuva ou por outros líquidos, suas substâncias são absorvidas por diversos micro-organismos, responsáveis por inúmeras doenças a que estamos sujeitos. Assim, tais micro-organismos se tornam mais resistentes  fazendo com que esses remédios, quando necessários novamente, percam seus efeitos curativos. Entregue-os na farmácias e ONGs autorizadas a recebê-los; elas saberão como dar um fim adequadamente.  

5)  Água – por morarmos num país tropical, em que a chuva é abundante ao longo de todo ano, não temos o costume de pensar nesse bem como algo esgotável, mas a verdade é que a Terra, planeta água, fonte da vida, possui muito pouco de água potável (apenas em torno de 2,5% de todo o manancial planetário!). Portanto, é preciso reter a água nos continentes, não permitindo que escorra para os oceanos, onde se integrará aos 97,5% de água do planeta e que, por ser salobra, não é consumível, natural e imediatamente. O processo de dessalinização da água é caríssimo, se pensarmos na dimensão da população mundial que dela necessitará caso se esgotem as águas continentais (doces). Portanto, se proteger a vegetação no solo significa reter a água passível de ser consumida, poupá-la significa mais água imediatamente disponível a todos e todas. 

Por isso, pequenas atitudes podem colaborar para que “seguremos” este bem tão fundamental ao ser humano onde se pode utilizá-lo e para que possamos reaproveitá-la mais rapidamente, segundo nossas necessidades atuais e futuras:

•  Procure jogar qualquer água residual em vasos de plantas ou nos canteiros do jardim. Os ralos e privadas devem ser nossas últimas opções. Nos primeiros, a água permanece mais tempo nos ambientes continentais, enquanto nos segundos, são destinados diretamente aos oceanos, tornando-se salobras e de possibilidade de uso mais demorado e menos localizado;

•  Ao lavar louças, procure encher a pia com uma quantidade de água com detergente biodegradável, suficiente para mergulhar a louça a ser lavada e de preferência de uma só vez. Após lavá-la, esvazie a pia (não se preocupe, a quantidade de água que se pode perder assim é muito menor que se você deixasse a torneira aberta para cada peça!), se possível, aproveitando a água para outras coisas, como lavar o chão, por exemplo. E ao enxaguar, procure fechar a torneira entre a lavagem de uma peça e outra. Parece pouco, mas imagine isso feito ao longo do dia, do mês, do ano, nas bilhões de casas que temos. Certamente, vamos conseguir não desperdiçar e conservaremos muito mais para as gerações futuras. E não se esqueça de usar um restritor de vazão (ou aerador ou peneirinha) na ponta da torneira, peça de fácil colocação e que também contribui para um uso de água melhor administrado, já que uma torneira aberta libera aproximadamente e em média 16 litros por minuto;

•  Regule torneiras e descarga de privadas. Aquela “aguinha” permanentemente escorrendo desperdiça, ao final de um dia apenas, quase 50 litros!

•  Não limpe sua calçada, quintais e afins “varrendo” com água. Pelo mesmo motivo explicado acima, o desperdício dessas iniciativas é enorme e não se tem como se reaproveitar a água que foi usada;

•   Procure usar baldes para lavar o carro, bem como procure não regar as plantas com mangueiras d’água. Calcula-se que na lavagem de carros, feitas com o uso de baldes, gaste-se apenas algo em torno de 60 litros d’água por carro; com mangueiras, cem vezes mais!

•   Se possível, troque a descarga de parede dos banheiros pelas privadas que vem com caixas individuais e com botões para quantidades de jatos distintos. A quantidade de água utilizada pelas descargas de paredes é de aproximadamente 20 litros por vez!

•   Quando for lavar roupa em máquinas, procure não lavar aos pouquinhos. Junte e lave de uma vez só o máximo que puder, não economizando apenas água, mas energia também; em tanques, use o mesmo procedimento sugerido à lavagem de louças.

6)  Se for possível, escolha um carro movido a álcool combustível. A gasolina, por derivar do petróleo, é muita mais poluente. De todos, o maior dos vilões é o diesel, cuja opção ideal é o biodiesel, combustível ainda de pouca utilização e que por ser um combustível de fonte vegetal (da mamona, principalmente), polui bem menos, à semelhança do álcool combustível;

7)  Procure fazer economia de energia, substituindo lâmpadas  incandescentes por lâmpadas eletrônicas ou frias. Adquira, quando possível, aparelhos eletroeletrônicos com certificados de consumo menor, hoje muito comum de ser informado no próprio produto;
8)  Reaproveite o papel sempre. Reutilize, recicle, aproveite ao máximo... Peça às crianças para desenhar sempre na frente e no verso. Cada papel economizado, menos árvores retiradas (mesmo que eucaliptos, espécie arbórea de pouco valor biológico...) e menos energia consumida para produzi-lo.

Aliás, este conceito de economia de energia vale para qualquer coisa: quanto mais você consumir APENAS o necessário, menos consumo de matéria-prima e energia, consequentemente, menos desperdício tanto de uma coisa quanto de outra.

Enfim, o que conta é que se tente criar uma prática de menos desperdício e que o consumo atenda as nossas necessidades reais e não aquelas que a sociedade de consumo nos convence como necessárias. Com isso, não só estaremos alimentando uma consciência de uso ambientalmente sustentável como também poderemos contribuir para que se encontre uma proposta de economia menos depredatória e fomentadora do consumo desregrado e que apenas alimenta o valor do capital pelo capital. 

É muito importante que você possa compartilhar estas e outras dicas sobre uma Agenda Sustentável com as crianças e os jovens, pois são eles que darão continuidade à responsabilidade de cuidar bem da nossa casa, do nosso bairro, cidade, país, continente e planeta e poderão, por sua vez, educar as gerações que lhes sucederão. Este é um legado fundamental que podemos deixar para os que virão."

Fonte: Assessoria PPS / Portal Nacional